| O LIVRO
DE CHARGES QUE OS VEREADORES DE FORTALEZA MANDARAM DAR SUMIÇO Pra quem não sabe, há aquela história dos originais do meu livro de charge que desapareceram misteriosamente de dentro da gráfica Stylus, do Dorian Sampaio. Tudo começou quando alguns vereadores estavam se sentindo importunados pelas charges contra a vereança. Um dia, o vereador Átila Bezerra, então presidente daquela Casa, por meio do advogado Carlos Eugênio, me mandou uma proposta para publicar meu livro de charges em troca de maneirar o teor das charges. (Sinceramente, eu não sabia que as charges estavam incomodando alguém. Inclusive, houve também uma "moção de desagravo", que eu nunca fui lá na CMFOR pra saber se era verdade. ) O advogado disse que eu deveria procurar o Dorian Sampaio, pois a Câmara tinha um crédito na gráfica. Cheguei lá com os originais do livro "No céu da pátria nesse instante" e procurei o Dorian Filho. Fui logo dizendo: - O Dr. Átila mandou imprimir e colocar na conta da Câmara. O Dorian Filho mandou deixar os originais (A pasta era enorme com o meu nome escrito em vermelho) em cima da mesa dele pois já ia mandar fazer o fotolito. Um mês depois voltei lá para saber a quantas andava a impressão do dito cujo. Ele falou: livro, que livro? Num vi não. Eu expliquei a tal história e ele pareceu ter se lembrado e chamou um funcionário para procurar a tal pasta, que era enorme. Nada. Rodamos a gráfica toda. Tinha uma sala cheia de trabalhos impressos e originais velhos e amarrotados. Procurei em todo lugar. A pasta tinha sumido. O tal funcionário que não lembro mais o nome me falou em off: - É aquele livro com os desenhos das baratinhas? Ele tinha lembrado, enfim. Eu perguntei se ele sabia onde estava. Foi quando ele falou: - "o dotô mandou dar sumiço". Até hoje, não sei quem era o tal "dotô". Não podia ser o Dorian Sampaio. Até onde eu sei, ele era um homem íntegro. E iria querer dar sumiço num livro véi de charges? A explicação do Dorian Filho é que a tal pasta fora vítima de uma inundação na gráfica, pois tinha chovido muito. Até hoje não descobri. O livro sumiu, o Dorian morreu, os que sabiam de alguma coisa se calaram. Será que foi na época em que o Dorian, dizem à boca pequena, foi gentilmente obrigado a vender o JD ao Tasso Jereissati. (Inclusive, o Blanchard Girão, que também já morreu, sugerira a Dorian: - Caro Dorian, não seria melhor, mais abrangente, “Jornal de Debates, ao invés de Jornal do Dorian”?) - Quem se habilita a desvendar o mistério? |
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